'Geraes', álbum lançado há 50 anos por Milton Nascimento, se alinha com o aguçado orgulho latino do Brasil em 2026

  • 22/02/2026
(Foto: Reprodução)
Milton Nascimento posa com a camisa que estampa o desenho feito pelo artista para a capa do álbum 'Geraes' (1976) Divulgação ♫ MEMÓRIA – DISCOS DE 1976 ♬ Na década de 1970, Milton Nascimento alicerçou obra que sempre buscou a conexão do Brasil com os países latinos da América hispânica em movimento de integração que, 50 anos após as ações de Milton, vem alcançando amplitude mundial em 2026 com o enfrentamento de Donald Trump pelo astro porto-riquenho Bad Bunny através da música. No álbum “Clube da Esquina” (1972), antológico disco-manifesto da turma mineira liderada por Milton, artista de origem acidentalmente carioca, o cantor e compositor já havia se ambientado na atmosfera hispânica de “San Vicente” (Miltin Nascimento e Fernando Brant), canção afiada por lâmina ibérica com toque andino. Sucessor do álbum “Minas” (1975) na discografia gravada por Milton para o Brasil, o álbum “Geraes” expandiu em 1976 o movimento de integração do Brasil com os países vizinhos da América do Sul e, 50 anos depois, se afina com o orgulho latino do país, aguçado pela consagração mundial de Bad Bunny e pela passagem do cantor de Porto Rico por São Paulo (SP) neste fim de semana. Milton Nascimento recebe título de doutor honoris causa pela Fundação Oswaldo Cruz Uma das vozes referenciais da América Latina desde a década de 1960, a cantora argentina Mercedes Sosa (1935 – 2009) participa do álbum “Geraes” na regravação de “Volver a los 17” (1966), canção emblemática da compositora chilena Violeta Parra (1917 – 1967), cuja obra foi um dos esteios da resistência do povo latino-americano às ditaduras que dominavam a maioria dos países do Continente nos anos 1970, unindo na luta o Brasil com os países vizinhos Argentina e Chile. Do Chile, a propósito, Milton importou o grupo Água – quarteto formado por Nano Stuven (flauta), Nelson Araya (violão), Oscar Perez (tiple) e Polo Cabrera (charango e percussão) – para tocar nas músicas “Caldera” (então inédito tema instrumental de Nelson Araya, integrante do grupo de folk), “Minas Geraes” (Novelli e Ronaldo Bastos) e “Promessas do sol” (Milton Nascimento e Fernando Brant). Gravado no Rio de Janeiro (RJ) nos estúdios da EMI-Odeon, gravadora então sob a direção artística de Milton Miranda, o álbum “Geraes” teve produção orquestrada por Mariozinho Rocha sob a supervisão musical do próprio Milton Nascimento. “Geraes” é álbum em que Milton assina somente quatro músicas – “A lua girou”, “Circo marimbondo” (com letra de Ronaldo Bastos) e “Menino” (outra parceria com Bastos), além da já mencionada “Promessas do sol” – entre as 12 faixas, atuando sobretudo como intérprete de repertório afinado com as intenções do artista. Ainda assim, cabe ressaltar que “A lua girou” é, a rigor, tema folclórico adaptado e arranjado por Milton para o álbum. No disco, Milton também canta tema da Folia de Reis do norte de Minas Gerais, “Cálix Bento”, adaptado por Tavinho Moura. “Cálix Bento” reforça o viés sacro de parte do cancioneiro de Milton. Com exceções do standard chileno “Volver a los 17”” e dos dois temas recolhidos do folclore brasileiro, o repertório do álbum é inédito. É em “Geraes” que aparece “Fazenda”, música mais conhecida do compositor mineiro Nelson Angelo. “Fazenda” tem o cheiro de terra que move “Carro de boi” (Maurício Tapajós e Cacaso). Em Geraes”, Milton também dá voz a “Viver de amor”, parceria do guitarrista Toninho Horta com o recorrente Ronaldo Bastos, produtor executivo do álbum. E que voz! A voz divina do cantor estava no auge. Os vocais de Milton na introdução de “O que será (À flor da pele)” – segunda das três versões da letra da canção “O que será” – atingem o sublime, assim como o contracanto celestial de Milton ao longo da gravação feita com a participação de Chico Buarque. A faixa é o ápice de “Geraes”. Cabe ressaltar que no álbum “Meus caros amigos”, lançado por Chico naquele mesmo ano de 1976, os dois artistas cantam a versão de andamento mais acelerado intitulada “O que será (À flor da terra)”. Outra participação realmente especial do álbum “Geraes” é a de Clementina de Jesus (1901 – 1987), cantora que reavivou o elo entre o Brasil e a África. Clementina se junta a Milton no canto do samba “Circo marimbondo”, sinalizando que a matriz musical africana também ajudou a moldar a latinidade entranhada em “Geraes”, álbum que expõe desenho do próprio Milton na capa assinada por Cafi (1950 – 2019), Noguchi (1938 – 2001) e Ronaldo Bastos. Enfim, em 1976, driblando a repressão de uma ditadura que amordaçava o Brasil, Milton Nascimento já buscava a integração latino-americana propagada 50 anos depois por Bad Bunny ao desafiar líderes da Extrema Direita. “Geraes”, álbum que completa 50 anos em 2026, é o retrato perene do gregário sentimento de latinidade que move Milton Nascimento pela música do mundo há mais de 60 anos. Capa do álbum 'Geraes' (1976), de Milton Nascimento Desenho de Milton Nascimento

FONTE: https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2026/02/22/geraes-album-lancado-ha-50-anos-por-milton-nascimento-se-alinha-com-o-agucado-orgulho-latino-do-brasil-em-2026.ghtml


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