Aos 82 anos, Chico Buarque tem obra remodelada ao feitio sofisticado dos Escafandristas no álbum do quarteto

  • 19/06/2026
(Foto: Reprodução)
Chico Buarque (ao centro) participa do samba 'A volta do malandro', uma das 15 músicas do álbum lançado ontem, 18 de junho, pelo grupo carioca Escafandristas Isabela Espíndola / Divulgação ♫ CRÍTICA DE ÁLBUM Título: Escafandristas cantam Buarque Artista: Escafandristas Cotação: ★ ★ ★ ★ 1/2 ♬ Dois anos após ser formado em 2024 com a intenção de propor outras visões do cancioneiro de Chico Buarque, o quarteto carioca Escafandristas lança o primeiro álbum. Estrategicamente apresentado na véspera do 82º aniversário do compositor conterrâneo (celebrado hoje, sexta-feira, 19 de junho), o álbum “Escafandristas cantam Buarque” reúne abordagem de 15 músicas do Chico regravadas sob direção musical de Thiago Amud (voz e violão). Há total respeito às melodias e letras. Contudo, Amud, Alice Passos (voz, flauta, violão e percussão), Luisa Lacerda (voz e violão) e Renato Frazão (voz e baixo) se situam fora do universo do cover porque mexeram nas harmonias e no ritmo. Em bom português, “Escafandristas cantam Buarque” é álbum inútil para karaokês, até pela refinada harmonização das vozes que pauta músicas como “Brejo da cruz” (1984) – gravada com a adesão de Giuliano Eriston, bom cantor que luta para se fazer ouvir em mercado cruel para quem não se afina com a estética pop do século XXI – e “Sonhos sonhos são” (1998), composição menos conhecida de repertório definido pelo quarteto a partir das cerca de 80 músicas pré-selecionadas para o show estreado em outubro de 2024. Fazendo jus à escolha para abrir o álbum, a abordagem de “Construção” (1971) consegue a proeza de se desvincular do arranjo criado pelo maestro Rogério Duprat (1932 – 2006) para a referencial gravação original do autor. O dueto de Thiago Amud com Luísa Lacerda em “Morro Dois Irmãos” (1989) mostra que o canto de Amud se afina com o de Chico. Tal afinidade se amplia no canto do outro intérprete masculino do grupo, Renato Frazão, e salta aos ouvidos no solo de Frazão no samba “Cotidiano” (1971) em gravação lapidar que sobressai no álbum pelo fato de o arranjo evocar a repetição do dia-a-dia conjugal entre pausas sincronizadas com os versos da letra. Formado em 2024, o quarteto Escafandristas lança o primeiro álbum Jorge Bispo / Divulgação As sete citações inseridas em seis das 15 faixas são sagazes. Música que embute o nome do grupo em verso da letra, “Futuros amantes” (1993) ganha menção de “Eu te amo” (Chico Buarque e Antonio Carlos Jobim, 1980) no meio da gravação. Da mesma forma, “Corrente” (1976) é amarrada com citação de “Mambembe” (1972). Já o samba “Morena dos olhos d'água” (1966) emerge com menção de outra morena das águas, a “Morena do mar” (1972) de Dorival Caymmi (1914 – 2008), e com a lembrança da ciranda “Na ilha de Lia, no barco de Rosa” (Chico Buarque e Edu Lobo, 1988). “Assentamento” (1997) se alicerça em canto em uníssono que esboça alguma emoção, a rigor diluída ao longo do álbum calcado na estupenda musicalidade dos Escafandristas. Se todo o sentimento por vezes escorre nas 15 faixas gravadas no estúdio da gravadora Biscoito Fino, percepção a rigor subjetiva, a emoção se eleva na récita de versos de Ruy Guerra pelo próprio Guerra – parceiro de Chico no “Fado tropical” (1973) – em meio ao canto majoritariamente a capella de “O que será (À flor da terra)” (1976). Já as cinco netas de Chico Buarque – Cecília Buarque, Clara Buarque, Irene Buarque, Lia Buarque e Teresa Buarque – se juntaram em estúdio pela primeira vez para cantar “As minhas meninas” (1987) com os Escafandristas em participação afetiva na gravação feita com citação do “Acalanto para Helena” (1971), canção de ninar composta por Chico para a filha Helena Buarque, mãe de Clara e Cecília. No fecho do álbum, o registro terno de “Tempo e artista” (1993) sublinha o fato de que, no álbum “Escafandristas cantam Buarque”, o quarteto (re)modela a obra do compositor ao feitio sofisticado do grupo em um tempo em que a música de Chico Buarque já alcança a glória e vislumbra o infinito reservado aos maiores artistas de cada época. Capa do álbum 'Escafandristas cantam Buarque', do grupo Escafandristas Divulgação

FONTE: https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2026/06/19/aos-82-anos-chico-buarque-tem-obra-remodelada-ao-feitio-sofisticado-dos-escafandristas-no-album-do-quarteto.ghtml


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